Comentário do Arnaldo Jabor no Jornal da Globo de 20 de outubro.
Confesso que quando vi o Maluf e o Malufinho entrando em cana, eu tive um choque, parecia um sacrilégio. Como um branco, rico, ex-governador ia preso? Cheguei a pensar: coitado do Maluf.
É impressionante. Durante esses 40 dias de cana, o crime parecia o fato de ele estar preso. Ele chegou a dizer: “Não estou gostando, não tenho a menor liberdade aqui dentro”.
Agora, alívio. Maluf surgirá fazendo o “v” da vitória, dizendo que não há provas contra ele, coberto de cheques assinados, extratos bancários, tudo. Veremos recursos, protelações dos advogados. Até que os Maluf têm direito ao habeas corpus, tudo bem, e a prisão preventiva era uma espécie de satisfação que o judiciário dava ao horror abestalhado da opinião pública, mas, se tivéssemos um judiciário real, Maluf já teria sido julgado há muito tempo. A prisão foi um quebra-galho, um defloramento, para que o judiciário pudesse dizer "encanamos o homem."
Agora, haverá um longo julgamento e mesmo que seja condenado, ele tem o atenuante da idade, mais de 70 anos e pronto. Livre. Talvez o malufinho pudesse ir em cana, mas o pai vai assumir as responsabilidades, ele será réu menor.
Parabéns, Maluf. Vamos comemorar, quibes em profusão, esfirras. “Fiquem aí em cana, pretos e pobres, com a pena vencida. Danem-sei!. Valeram a pena os 800 milhões, valeu a pena Água Espraiada, valeu a pena viadutos e estradas. Valeu a pena, valeu a pena, minhocão.